
CENA I :
Dez e meia da manhã. Quarto abafado (um oferecimento do “Verão senegalês made in Brasil”, delícia dos Trópicos, meu Brasil!). Os olhos abrem, a visão do marido ali ao lado provoca um sorriso terno e uma paz nessa que vos escreve. Enquanto ele ainda dorme eu desço. Primeira parada: o escritório. A janela é aberta, a claridade invade o lugar. Automaticamente já sento na minha cadeira azul em frente ao notebook. O computador ficou ligado a noite toda simplesmente porque eu acho que dá muito trabalho desligá-lo de noite pra religá-lo 8 horas depois (meu único ato intensionalmente anti-ecológico, eu acho, shame on me). Simplesmente porque gosto de chegar no escritório de manhã e ver que ele está lá esperando por mim, haha. Será que preciso de tratamento? Enfim…
CENA II:
A página de entrada no meu firefox é o Twitter. Mal acordei e já estou conectada com tudo e com todos. É meu jornal matinal, sério. Ali fico sabendo das últimas notícias, fofocas, o que for. Acho muito mais interessante do que acessar os grandes portais… a notícia corre no Twitter como nunca correu antes em nenhum lugar , FATO. Lidem com isso, povo ;) E acho que aí é que reside o encanto mundial com essa rede social, minha favorita , sem dúvida alguma.
Depois a caixa de emails é aberta. Os mais importantes são lidos na hora, o restante vai pra uma pasta especial que deverá ser saboreada ao longo do dia, com calma. O próximo site da lista é o Facebook. Ali reside minha atual fonte de prazer online, minha gente, o Farmville!!! Meus sagrados 20 minutos diários pra cuidar do meu pedaço de terra virtual enquanto o real está a caminho (ah, meus jardinssssss… nível de ansiedade extremo só de pensar). Considerem minha terapia, ok? Tem gente que paga fortunas por 1 hora semanal de blablablá. Eu prefiro sentir meu coração sorrir gratuitamente quando um patinho feio vira um cisne escândalo ou quando bois e vacas procriam um bezerro alienígena, ahahaha. Sério. Um dia quase morri com Y de emoção quando adotei meu primeiro pinguim… Cuco Cuco Cuco :S
CENA III:
Depois o dia decorre com tranquilidade, o trabalho começa a ser feito, a “vida real” pega a gente de jeito, ADORO! Almoços são feitos, jantares degustados, beijos e abraços durante o dia são dados. Contas são pagas e séries são assistidas. Tudo na maior da normalidade e realidade.
Mas aí é que eu questiono vocês leitores, nessa minha pequena encenação da vida cotidiana: o que é real e o que é virtual, meu polvo??? A partir do momento que tudo isso que eu descrevi acima faz parte do nosso dia-a-dia de uma maneira tão arraigada, como chamar isso de “virtual”??? Sempre me dá a impressão de que quando alguém solta um “vida virtual” está, no fundo, querendo dizer mesmo “vida imaginária”, sabe? Mas porque isso? Só porque acontece num espaço DENTRO de uma caixa preta? Mas a caixa preta não é real?
Fato é que eu não vivo sem essa sensação REAL de estar conectada a tudo e a todos ao alcance de uma tecla. É o que nos aproxima de uma certa forma, o que nos faz ter certeza de que não estamos sozinhos nesse mundo, sabe? Você pode ajudar pessoas através nesse espaço “virtual” e pessoas podem ajudar você em troca. Foi realmente uma revolução a tal da web 2.0. Ela nos trouxe essa avalanche de redes sociais e ferramentas online, nos aproximou como nunca nada antes conseguiu na história da humanidade (minha opinião, of course). E acho que é isso que assusta, todo ser humano tem medo daquilo que não pode ou consegue ver, né?
Mas é como dizem os físicos quânticos: nada na vida é preto no branco, tudo o que nos acontece é fruto da tal probalidade, daquilo que nos propomos a fazer e a acreditar. Dessa “crença” resulta nossa “realidade”. Nossa crença é que contrói o mundo a nossa volta. Mas isso é assunto pra outro post, né, minha gente ;)
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